terça-feira, 24 de agosto de 2010

As mulheres no encontro das blogueiras

Reproduzo matéria publicada no blog "Maria da Penha neles".

Participamos do Primeiro Encontro de Blogueiros Progressistas em São Paulo no último fim de semana. Foi um encontro alegre e descontraído, com a presença de muitas mulheres interessantes, batalhadoras e comprometidas com as lutas sociais.

Foi emocionante ver reunidas tantas mulheres que estão alinhadas com os novos tempos que vivemos e que se posicionam de maneira firme para defender suas ideais e lutas. Não tenho estatísticas mostrando o número de mulheres participantes, mas no "olhometro", arriscaria dizer que empatamos em número de participantes com os homens.

Tivenos a oportunidade de ouvir as experiências exitosas dos blogueiros de grande sucesso, o Paulo Henrique Amorim, o Luis Azenha e o Nassif, e de blogueiros menos conhecidos mas importantíssimos na luta pela democracia, pela liberdade de expressão e contra o pensamento único da grande mídia.

Destaco o emocionante e corajoso depoimento de Débora da Silva, do blog Mães de Maio, que seguramente encorajou outras mulheres a continuar lutando por seus ideais de justiça social e liberdade de expressão.

Foi gratificante conhecer pessoalmente mulheres maravilhosas como Caia Fitipaldi, que colabora de forma voluntária com muitos blogueiros com suas ótimas traduções da imprensa internacional, a bela Nanda Tardin, que incansavelmente divulga as notícias de "Nuestra América", a simpática e competente twitteira Conceição Oliveira, do blog Maria Fro, e a vibrante Conceição Lemos, do blog do Azenha.

Muitas blogueiras jovens que, como eu e minha companheira de blog Rosangela Basso, ouviram atentamente e aprenderam muito com os mais experientes. O encontro de blogueiros progressistas, encerrado no domingo 22 de agosto, já deixou muita saudade e a vontade de que o próximo se realize logo.

No próximo encontro, já com uma mulher presidente do Brasil, temos que nos organizar e garantir que nossa presença se destaque nas palestras e depoimentos, pois este ainda teve a predominância de homens. Não vai aqui uma crítica aos homens ou aos organizadores do evento, mas um alerta a nós mulheres.

Somos corajosas, somos competentes e temos um Brasil novo para conquistar, mas não conquistaremos nossos espaços por decreto, mas com luta e determinação, mostrando nossa cara e nossa história, como o faz nossa futura presidente do Brasil.

Temos que estar preparadas para nos mobilizarmos e botar nossos blogues na rua, quando nossa futura presidente da República precisar da força das mulheres brasileiras para mostrar ao Brasil que ainda insiste em nos desqualificar, que somos cidadãs plenas de direitos e que lutaremos para ser protagonistas deste novo Brasil

A bola está nas nossas mãos!
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Fonte: Blog do Miro

sábado, 21 de agosto de 2010

A escolha de ser mãe!



Brasil: 46% dos nascimentos não foram desejados

Criada há 50 anos, nos Estados Unidos, a pílula anticoncepcional é um método
contraceptivo largamente utilizado pelas mulheres brasileiras. Porém, apesar
de sua disseminação e da redução das taxas de fecundidade no Brasil, muitas
delas se tornam mães em momentos não planejados. A última Pesquisa Nacional
de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher
(PNDS),
realizada em 2006, mostra que 46% dos nascimentos no Brasil não foram
desejados ou haviam sido planejados para mais tarde.

Financiada pelo Ministério da Saúde, a PNDS foi coordenada pela equipe da
área de População e Sociedade do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(Cebrap). A pesquisa busca traçar um perfil da população feminina brasileira
em idade fértil e de crianças de até cinco anos e está em sua terceira
edição, tendo sido realizada pela primeira vez em 1986 e repetida no ano de
1996.

Os dados da PNDS-1996 apontavam que o porcentual de nascimentos
não-planejados era de 48%. O tímido avanço de apenas 2% até o ano de 2006
evidencia uma falha na oferta de contraceptivos e orientação por parte do
governo, explica Laura Wong, uma das pesquisadoras da PNDS-2006 e professora
do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR) da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Porém, segundo a pesquisadora,
o panorama atual já vem sendo modificado: "A PNDS, como indicado, é de 2006.
De lá para cá, mudanças significativas têm ocorrido na área de atenção à
saúde reprodutiva. Uma das mudanças se relaciona com a ampliação do Programa
Saúde da Família (PSF) que, após 2006, e nos últimos dois anos, vem
ampliando sua cobertura e passou a incluir nos programas de saúde da mulher
a oferta de meios de planejamento da fecundidade. De tal forma, acredito que
esse percentual (de 46%) tenha diminuído".

A ampliação do Programa Saúde da Família e a implementação do módulo de
Planejamento Familiar contribuem, segundo Laura Wong, para a queda da taxa
de fecundidade das mulheres brasileiras. Segundo ela, "um indicativo disso é
a sinalização das estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) com relação à fecundidade de mulheres com menos de 20
anos. Desde 2005, a probabilidade de essas mulheres terem um filho está em
torno de 50-60 por mil. È válido lembrar que, nos anos 2000, este indicador
oscilava em torno de 70-80 por mil", explica.

Outro resultado divulgado pela PNDS-2006 é que a laqueadura (esterilização
feminina) ainda é o recurso contraceptivo mais usado por mulheres
brasileiras. Porém, se forem somados os usos da pílula, dos
anticoncepcionais injetáveis e do Dispositivo Intrauterino (DIU), os métodos
reversíveis já ultrapassam a laqueadura. Em relação aos métodos reversíveis
de contracepção, Laura Wong explica que as mulheres brasileiras têm um
escasso leque de escolhas: "Preservativos e contracepção hormonal oral são
praticamente as únicas alternativas. Os outros métodos, por requererem maior
investimento em informação, recursos monetários e pessoal qualificado, nem
sempre estão disponíveis. Por isso os métodos antes citados, sem ser
necessariamente a primeira escolha dos casais, são os mais usados", afirma.
"A outra dificuldade, mais estrutural, é o acesso aos serviços de saúde. Uma
consulta médica num posto de saúde toma tempo excessivo de uma mulher. Isto
desencoraja a visita ao posto de saúde, colocando em risco não apenas a
saúde reprodutiva, como toda a saúde em geral", completa Wong.

O aumento no uso de contraceptivos também foi apontado pela PNDS-2006, que
indicou que 81% das mulheres de 15 a 49 anos que viviam alguma forma de
união usavam anticoncepcionais. Esse aumento, porém, não contribui para a
redução do número de abortos induzidos no país, como avalia Wong: "Se a
pressão por reduzir o número de filhos aumenta muito mais que a oferta de
planejamento da fecundidade, o número de abortos pode crescer. É provável
que este seja o perfil que mais se acomoda à realidade brasileira",
esclarece a pesquisadora. "Penso que, se tal como sugerem as estatísticas,
não há sinais de arrefecimento do aborto induzido, mesmo que tenha havido
aumento da oferta de contracepção, a pressão por ter menos filhos em nossa
sociedade tem sido ainda maior. Essa é a pergunta que deve ser feita: Por
que aumentou tanto a pressão por ter menos filhos? Que fatores sociais,
econômicos e culturais estão atuando para exercer essa pressão?", completa.

A queda na taxa de fecundidade das mulheres brasileiras, registrada na
PNDS-2006, é causada por diversos fatores, entre eles questões econômicas e
financeiras. "O maior nível de informação que a sociedade tem, via meios de
comunicação massiva (principalmente televisão) e informações sobre o futuro
incerto (ausência de garantias de emprego, ameaças de instabilidade
econômica etc.) são fortes sinalizadores de que ter um filho, hoje em dia, é
uma temeridade. Esta insegurança, transmitida a uma grande parte da
população independentemente do grau de educação e renda ou lugar de
residência, certamente funciona como um freio à ampliação da família",
afirma a pesquisadora.

Pesquisas como a PNDS auxiliam na formulação de políticas e estratégias de
ação nas áreas de saúde e nutrição de mulheres e crianças. Se 46% dos
nascimentos no Brasil não são desejados ou haviam sido planejados para mais
tarde é sinal de que ainda existem avanços a serem feitos na área da saúde
sexual e reprodutiva da mulher. "Por razões distintas, mulheres têm mais ou
menos filhos do que os que gostariam de ter. Valeria a pena nos
questionarmos se isso não é uma violação aos direitos reprodutivos", indaga
a pesquisadora Laura Wong.

Publicada em: 18/08/2010 às 11:30
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domingo, 1 de agosto de 2010

Lula apela ao líder do Irã para enviar condenada à morte por apedrejamento ao Brasil


DIMITRI DO VALLE
DE CURITIBA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em Curitiba (PR), que vai pedir ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que envie a iraniana condenada à morte por apedrejamento ao Brasil, onde poderá receber asilo. Sakineh Ashtiani já recebeu 99 chibatadas como punição por manter "relacionamento ilícito" com um homem.
"Se vale a minha amizade com o presidente do Irã e se ela [a mulher condenada] estiver causando incômodo lá, nós a receberemos no Brasil de bom grado", disse Lula, acrescentando que vai telefonar para o iraniano e conversar sobre o assunto.
Acho que nada justifica o Estado tirar a vida de alguém. Só Deus pode fazer isso", disse o presidente.

A candidata à Presidência Dilma Roussef, em entrevista também em Curitiba, falou que a decisão do governo de Teerã "fere" a "nós que temos sensibilidade, humanidade".
Os dois participaram no Paraná de um evento da campanha da candidata à Presidência.

MUDANÇA DE OPINIÃO
Ainda na quarta-feira (28) a posição de Lula mantinha-se inalterada. Questionado sobre as campanhas mundial e nacional na internet e no twitter pela libertação da iraniana, o presidente brasileiro disse que se um país passa a desobedecer suas leis para atender a pedidos de outros líderes, poderia ocorrer uma "avacalhação".
No Palácio do Itamaraty, o presidente opinou sobre a campanha "Liga Lula", dizendo que não poderia passar o dia atendendo a pedidos e que as leis dos países devem ser respeitadas.
"Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo o pedido que alguém pede de outro país (...) É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes daqui a pouco vira uma avacalhação", disse.
Em seguida, Lula complementou que não acha certo "nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de traição."

ENTENDA O CASO
Mãe de dois filhos, Ashtiani recebeu 99 chicotadas após ter sido considerada culpada, em maio de 2006, de ter uma "relação ilícita" com dois homens. Depois, foi declarada culpada de "adultério estando casada", crime que sempre negou, e condenada a morte por apedrejamento.
O anúncio de que a aplicação da pena poderia ser iminente despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Reino Unido, EUA e Chile expressaram suas críticas à decisão de Teerã. O governo islâmico disse então que suspenderia a pena, até segunda ordem.

CAMPANHA
Um abaixo-assinado aberto há cerca de um mês na internet deu impulso mundial à campanha pela libertação da iraniana.
O documento conta com mais de 114 mil assinaturas, a maioria sem valor real, como pessoas identificadas apenas pelo primeiro nome, manifestações políticas como "E agora Lula?" e piadas como "Pica Pau".
A lista, contudo, tem também assinaturas verídicas de célebres brasileiros --Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque e Caetano Veloso.
Farshad Hoseini, diretor do Comitê Internacional contra Lapidação e autor do documento, explica que a ideia é que a pressão internacional chegue ao governo iraniano.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/775799-lula-apela-ao-lider-do-ira-para-enviar-condenada-a-morte-por-apedrejamento-ao-brasil.shtml