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terça-feira, 30 de março de 2010

União Brasileira de Mulheres participa da luta contra os fantasmas da ALEP

A União Brasileira de Mulheres-Seção Paraná convida todas as cidadãs e cidadãos paranaenses para Ato que a UPE e UPES organizam no dia 31 de março (4a.-feira), às 09h00, na Praça Santos Andrade, para protestar contra o roubo de dinheiro público através do esquema dos 'fantasmas' da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

Se não houver mobilização e pressão de movimentos sociais, de novo a 'operação-abafa' terá sucesso e qualquer investigação ficará restrita aos limites da ALEP, ou seja, com os suspeitos investigando a si mesmos.

A UBM defende um mundo de igualdade contra toda a opressão e entende que, para impulsionar a democracia em nosso país, é preciso ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder, o que inclui a luta contra a corrupção, pela apuração rigorosa das irregularidades e punição de culpados e culpadas.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Identificar e punir culpados(as) pelas irregularidades na Assembléia Legislativa



A UBM do Paraná soma-se a outras entidades e setores da sociedade no protesto contra as irregularidades na Assembléia Legislativa (ALEP), denunciadas desde a semana passada por órgãos da imprensa local. E também exige que se faça ampla investigação e punição daqueles(as) que traficam em benefício próprio com o dinheiro público de cidadãos e cidadãs do Paraná.


Corrupção não tem gênero, mas é de se notar como todo o esquema denunciado pela imprensa é operado basicamente por homens poderosos do parlamento estadual, utilizando várias mulheres como "laranjas", usadas para nominalmente receber altos salários da ALEP traficados por alguns espertalhões. Assim como nas eleições parlamentares, certos candidatos homens, quase sempre ligados a partidos conservadores, se aperfeiçoam na enganação de eleitoras para manter seu amplo predomínio na ALEP (menos de 10% do parlamento é integrado por mulheres, apesar de serem maioria na sociedade). Entendemos este processo de corrupção também como componente de um Estado patriarcal de dominação econômica, política e ideológica que subestima e submete mulheres a uma prática que não condiz no geral com seu posicionamento na sociedade. Segundo pesquisa intitulada "Corrupção e gênero", de autoria de Ana Luiza Melo Aranha, demonstra-se que as mulheres no parlamento apresentam menos propensão à corrupção e nutrem um sentimento de solidariedade e de cuidado com a sociedade, o que inclui o respeito ao dinheiro público.

A crise na ALEP já rendeu o afastamento do todo-poderoso Diretor-Geral Abib Miguel, o "Bibinho", operador das verbas milionárias da ALEP (mais de 300 milhões). Muitos deputados ligados a "Bibinho" tentam disfarçar essa proximidade, a exemplo do peemedebista Alexandre Cury. O caso continua rendendo e o movmento estudantil promete fazer manifestação diante da ALEP nesta terça, 23/03.
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Elza Maria Campos * Coordenadora da UBM - Seção Paraná

terça-feira, 16 de março de 2010

Duas mulheres contra a corrupção


As investigações do mensalão do DEM, em Brasília, alçaram aos holofotes as procuradoras da República Raquel Dodge, 48, e Deborah Duprat, 50. As "damas de ferro" do Ministério Público Federal são definidas por colegas, advogados e juízes como sérias, dedicadas e rigorosas. Dodge e Duprat tiveram papel central na inédita prisão de um governador por suspeita de corrupção. A primeira pediu a detenção de José Roberto Arruda [ex-DEM], sob a acusação de ter tentado impedir a apuração do esquema de propina e compra de apoio político no governo do Distrito Federal. A segunda sustentou a necessidade de mantê-lo preso perante o STF (Supremo Tribunal Federal).

Em comum, têm a militância pelos direitos humanos e uma coleção de ações contra políticos acusados de corrupção. E são amigas -Duprat é madrinha de casamento de Dodge."Elas são empenhadas na busca por correção de rumos", diz Marco Aurélio Mello, ministro do STF, que já foi chefe e professor de Raquel Dodge.


Subprocuradora-geral da República, Dodge foi uma das responsáveis pela primeira condenação do ex-deputado Hildebrando Pascoal [do PFL, hoje DEM], que assassinou um mecânico com motosserra no Acre em 1996. Atuou também no combate ao crime organizado no Espírito Santo, levando à prisão o então presidente da Assembleia, José Carlos Gratz, em 2003. Reservada e discreta -amigos dizem que ela nunca altera o tom de voz -, Raquel Dodge não teme pressões. Nem mesmo as ameaças de Hildebrando Pascoal no período em que amamentava a filha caçula a fizeram abandonar o caso ou mudar de profissão.


"Ela age como pensa", afirma a amiga de mais de 30 anos Maria Oliveira Cerejo, assessora no STF, garantindo que Dodge sempre foi uma pessoa "de opiniões firmes e claras". A ponto de, no auge da investigação do mensalão do DEM, ter acionado o procurador Alexandre Camanho para resolver a situação dos índios no sul da Bahia, onde estavam em pé de guerra. A sala de Dodge, antes de ser promovida a subprocuradora, era famosa pelos adornos indígenas e pelo mapa indicando a localização exata de todas as tribos. Procurada pela Folha, ela não quis ser entrevistada. Por meio da assessoria, disse que prefere o anonimato.


Hippie
Assim como a amiga, a atual vice-procuradora-geral da República Duprat também é apaixonada pela questão indígena, tema que a fez entrar para o Ministério Público. Ela conta que frequentemente viaja para reservas indígenas. Sobre a paixão pelos índios, diz: "Acho que é uma fantasia. Vem daquela coisa de querer viver numa praia cheia de índios".Ela também atuou em casos rumorosos contra políticos. Denunciou Ivo Cassol, governador de Rondônia que ainda hoje responde a processos na na Justiça. Coordenou vários inquéritos contra o ex-aliado e agora inimigo de Arruda, Joaquim Roriz (PSC), acusado de crimes como corrupção.


Duprat já defendeu a legalidade da marcha da maconha e a união civil de homossexuais. "Sou alternativa, um pouco hippie. Sou uma pessoa mais década de 60", define-se. Nos tribunais, a "cotação" da vice-procuradora está em alta. Colegas de profissão e ministros do STF ouvidos pela Folha destacam o charme de Duprat, que corre regularmente (de 7 km a 8 km) e pratica hipismo montando o próprio cavalo, um puro sangue inglês.


Prestes a completar 51 anos, mãe de um casal e solteira após dois casamentos, ela afirma que não é muito assediada. "É porque tenho cara de mulher má", brinca. Sobre o escândalo no DF, uma das "damas de ferro" evita comentá-lo diretamente. "É uma tristeza para todos que gostam de Brasília. O que está acontecendo aqui é uma coisa que você imagina só ocorrer nos rincões mais escondidos do país, onde o Estado praticamente não chega."
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Reportagem de Lucas Ferraz, Fernanda Odilla e Andreza Matais